segunda-feira, 21 de março de 2011

CRIANÇAS E O SILÊNCIO

O "silêncio". Indico quase sempre o "silêncio" e dou-lhe uma importância que alguns catequistas reputarão exagerada. Mas não é.

Já por si exteriorizada e dispersiva, tem a criança atual um mundo trepidante a chamá-la para fora, distraí-la, prendê-la ao sensível. Habituá-la, pois, a um instante de silêncio, chamá-la a concentrar-se, a pensar em determinado assunto que lhe escapa aos sentidos, é ensinar-lhe a dominar o mundo exterior, a fixar o pensamento num objeto desejado, a vencer as próprias distrações, a conseguir aos poucos o domínio das faculdades inferiores pelas superiores. Aplicando-as às coisas religiosas, estamos orientando-a para a oração - que passará de mecânica repetição de palavras, às vezes sem a mínima atenção, para um encontro consciente do homem com Deus, uma verdadeira conversa, uma "elevação da alma a Deus", como quer a própria definição.

Este "silêncio" tem suma importância, inclusive para nós. Começássemos sempre com ele as nossas orações, e veríamos como escassearia a distração, que corrói como o cupim que deixa da madeira apenas a forma.

Excertos do livro: Preparação para a Primeira Comunhão – Mons. Álvaro Negromonte

SENSO DO PECADO - EDUQUE SEU FILHO

É uma das conseqüências do senso de Deus. O homem perdeu o senso do pecado porque perdeu primeiro o senso de Deus. Se para nós Deus é (e será sempre) o Senhor, Senhor de tudo, Senhor absoluto, então a sua Lei é a suprema regra da vida, e importa obedecer-lhe acima de todas as coisas, sejam quais forem as conseqüências humanas.

E se Deus é para nós o Pai, que nos ama como a melhor das mães ama a seu filho, Pai previdente que faz por nós as maravilhas de sua onipotência e nos dá as mais estupendas provas de seu amor, é preciso amá-Lo de “todo o coração, de toda a alma, com todas as forças”. (Cf. Lc. 10,27).

Se dermos à criança o senso de Deus, damos-lhe, por isso mesmo, o senso do pecado. Ela sabe e sente que nada há mais importante do que obedecer a Deus, e nada lhe doerá mais do que ofender ao Pai de tanta bondade e tanto amor. É este o primeiro aspecto do pecado que devemos apresentar: - ele é uma ofensa a Deus, paga de ingratidão a quem nos ama com amor infinito, é uma recusa de amor de Deus, um “não!” ao Pai do Céu.

Dando à criança esta atitude em face do pecado, é mais fácil dar-lhe o sendo de reparação:

- Se desobedecer a uma ordem do Soberano Senhor, devo apresentar-Lhe desculpas;

- Se ofender a um Pai tão bom, devo dizer-Lhe que estou arrependido e que nunca mais farei essa ingratidão.

Só em segundo lugar apresentaremos os efeitos do pecado em nós. São graves, terríveis:

- Expulsa de nós o Espírito Santo;

- Priva-nos da condição de filhos de Deus;

- Despoja-nos de todos os méritos;

- Entrega-nos ao Demônio;

- Condena-nos ao inferno.

Nada se pode imaginar de pior ... para o homem. Mas o pecado é, antes de tudo, a ofensa a Deus, e só depois podemos considerar o mal que ele nos faz. Primeiro, Deus ofendido; depois, o homem arruinado. É o mesmo ato que produz os dois efeitos; mas consideraremos primeiro o que é mais grave. Este aspecto deve ser mais salientado do que até agora tem sido. Isto não significa que menosprezemos os efeitos do pecado para nós. Não; até porque nada há de mais funesto para o homem, sendo mesmo a única verdadeira desgraça (desgraça) que nos pode acontecer. Aliás, o senso do bem espiritual ajuda-nos a avaliar o mal do pecado. Quem

sabe: - apreciar a beleza da graça santificante;

- prezar o inefável dom da habilitação de Deus em nós;

- estimar devidamente a felicidade de poder gozar da amizade divina.

Esse saberá também avaliar o que seja o pecado:

- rompimento com Deus;

- destruição da vida divina em nós;

- sujeição ao demônio.

Por isso um dos meios eficazes de infundir horror ao pecado é dar o amor ao estado de graça, a prática habitual da virtude, o gosto da consciência tranqüila. O hábito da vida consciente em graça dará o senso do pecado, com o hábito da limpeza da à criança e repugnância à sujeira.

Mas, (permita a insistência), apesar de tudo, é secundário. O primeiro valor é o que se refere diretamente a Deus: - o pecado é uma ofensa à Bondade Infinita.

Excertos do livro: Preparação para a Primeira Comunhão – Mons. Álvaro Negromonte

O CAMINHO DO CONFESSIONÁRIO

Como em toda a educação, aqui é também imenso o papel dos pais, tanto como diretamente como indiretamente. Na formação da consciência as crianças pequenas se guiam totalmente pelo que dizem e fazem os pais. Para elas constituem eles toda a autoridade do bem e do mal: vale o que dizem os pais. Vê-se então que estes devem ter muito boa consciência e muito cuidado em suas palavras e atos, a fim de não formar erradamente os filhos.

Até cinco ou seis anos, medem as crianças o bem ou mal pelo agrado ou desagrado causado aos pais. Importa, então, agir com muitodiscernimento, agradando-se do bem moral e de desagradando do mal moral, muito mais que de qualquer falta outra que cometas as crianças.

Evite-se dar demasiada importância a certos defeitos puramente naturais: é mais grave mentir que quebrar um prato; muito mais grave vingar-se do que rasgar a roupa no jogo. E os pais devem ser razoáveis no trato dessas faltas, porque pelas suas atitudes é que as crianças julgam da gravidade delas.

Prestem os pais atenção a certos atos, praticados com intenção deliberadamente má. É interessante notar que as crianças alegam, às vezes, a má intenção como desculpa. “Quebrei o carrinho dele porque ele me bateu”. O que eles alegam como excusante é, pelo contrário, agravante.

Se a criança é ainda muito pequena, não vamos falar propriamente em pecado, mas é imprescindível mostrar-lhe que fez o mal, e habituá-la a pedir perdão a Deus, relacionando logo o mal com a ofensa a Deus, que é também quem pode perdoar. Os pais perdoam em lugar de Deus...

A própria maneira de se portarem os pais quando a esse perdão influi na formação do filho para a Confissão, embora não o percebam. De fato, - se perdoam sem exigir arrependimento nem respeito de emenda, dão a entender que a falta é coisa de pouca monta, ou sem valia; e assim pensa a criança que poderá portar-se com a Confissão; - se tomam uma atitude por demais severa, levam a criança a dissimular para escapar aos rigores: e assim poderão mais tarde agir na Confissão, disfarçando pecados ou fugindo ao confessionário por temor: - se perdoam com demasiada facilidade, correm o risco de extirpar da consciência infantil o temor de Deus, o medo de pecar, o arrependimento, o desejo de emenda, facilitando a insensibilidade moral e a recaída nos pecados.

Se, porém, perdoam, exigindo que se arrependam, e prometam não reincidir, agem acertadamente, porque não tornam muito penosa a confissão da falta (e por extensão a Confissão) e exigem (como Deus exigirá na Confissão) arrependimento e propósito.

As crianças transferem com muita naturalidade o modo de agir dos pais com relação às suas faltas para a atuação do confessor. É bom, então, que saibam que Deus acolhe com misericórdia o pecador, mas exige que se arrependa e se emende. Muito contribui para a atitude das crianças em face da Confissão a que elas virem ser a dos próprios pais. Se estes se confessam a miúde e falam da Confissão com felicidade, claro que ensinam aos filhos o caminho do confessionário. Os outros, infelizmente, não!

Excertos do livro: Preparação para a Primeira Comunhão – Mons. Álvaro Negromonte

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UN NIÑO MARTI - Año 257, Roma

"En el año 257 algunos cristianos encerrados en la cárcel Mamertina de Roma habían de padecer el martirio, y deseaban antes participar del augusto Sacramento, pero la vigilancia de los guardias y lictores se extremada de tal suerte, que era poco menos que imposibile socorrerles con este auxilio divino.

Sin embargo, en las Catacumbas el Pan consagrado estaba ya sobre el Ara santa, y el sacerdote volviéndose hacia el numeroso concurso de fieles, buscada con sus miradas a quien confiar empresa tan díficil como de gloria de Dios, cuando he ahi que Tarsicio, niño de apenas diez años, se adelanta, dobla sus rodillas ante las gradas del altar y extiende sus brazos en ademám de recibir la Prenda divina.

Allí estaba...bello como un ángel, sin abrir sus labios, fijos los ojos en el ministro de Dios como si dijera: "Aqui me tenéis, Padre, confiadme misión tan arriesgada, confiádmela...por favor"

"Hijo mio, le dice el sacerdote hondamenta conmovido, eres demasiado niño." Mas él no se mueve; antes persevera de rodillas aguardando la gracia suspirada. Insiste el ministro del Señor: "Noves que eres tan niño? Y quieres tú que te confie el Tesoro de los cielos? Oh!, si, Padre mio.Antes bien, por verme tan pequeño nadie sospechará de mi, y podré con seguridad llegarme a los márties. !Por Dios, Padre, no me neguéis esta gracia!" Al decir esto se inflamaba su semblante, y dulces lágrimas surcaban sus mejillas.

Renueva Tarsicio con tanto fervor sus instancias, que, vencido por fin el sacerdote, no puede resistir más a sus ruegos. Tomando, pues, el Santisimo Sacramento, lo envuelve con suma reverencia en un blanco lienzo, lo introduce en una bolsa y lo entrega a Tarsicio, diciendo: "Hijo mio, no te olvides que fio en tu manos el Tesoro de los cielos, evita, por tanto, los lugares públicos y demasiado tumultuosos, y advierte que las cosas santas no han de entregarse a los perros, ni las preciosas margaritas a inmundos animales". Bañado de gozo celestial esconde. Tasicio el sagrado Tesoro en su pecho, lo cubre com su túnica, y cruzando sobre él los brazos, exclama: "Moriré mil muertes antes que dejármelos arrebatar".
Parte al punto de las catacumbas con su amado Jesús.

Para llegar a la cárcel Mamertina le faltaba sólo atravesar una plaza, y pensaba cómo la cruzaria sin llamar la atención, cuando una turba de muchachos le divisó y acercándose a él: "Hola, Tarsicio! - dijeron Tu por aqui? Ven a completar el número jugando con nostros". Y cogiéndole uno de ellos por el brazo lo empujada hacia el grupo. "No puedo complacerte, Petilio, gritaba el niño, no puedo porque voy corriendo a un encargo que urge mucho".
Pretendia Tarsicio escaparse, pero viendo que le tenian fuertemente asido, rogóles con voz suplicante le soltasen, y no logrando quedar libre, sollozaba apretando más y sus brazos al pecho.

En esto dicelo otro: "Qieras que no quieras, jugarás hoy con nosotros, mas antes veamos qué llevas en el pecho que escondes con tanto afán". Y al punto extendió la mano para arrebatarle el sagrado Misterio. "Oh!, no, eso no!., Jamais!, Jamais!., exclamaba el niño fijando los ojos en el cielo en demanda auxilio. - Lo queremos ver, gritan todos a porfía, hemos da saber qué secreto es ese que ocultas". Y lanzándose sobre él se asieron de sus brazos para separárselos. Tarsicio, empero, resiste enérgicamente, y durante la lucha reunióse en torno gran número de curiosos.

Entre los espectadores habia un cruel enemigo de los cristianos, quien reconociendo a Tarsicio, vociferó con rabia diabólica: "Ese niño es un cristiano que lleva los Misterios a los mártires". Ai oir estas palabras todos gritaron: "Queremos ver los Misterios! Queremos ver los Misterios!..."

Y luego granizaron sobre el pobre Tarsicio puñadas, golpes, piedras...mas él no cedia a la violencia de tan rudos embates. Copiosa sangre le sale de la boca, todos sus miembros tiene magullados hasta que falto de fuerzas cae medio muerto en tierra conservando apretado contra su pecho el inestimable Tesouro.

Creíanse ya vencedores aquellos malsines, cuando se presenta casi de improvisto un cristiano militar de fuerzas hercúleas llamado Cuadrato, el cual emprediendo a unos y a otros logra ahuyentarlos a todos quedándose solo con el invicto niño, y arrodillándose profundamente emocionado junto a la inocente víctima, le habla de esta manera: "Qué es esto, Tarsicio?... Padeces mucho?... Ten buen ánimo!...". Oh! Cuadrato! aqui estoy, no no me han podido arrebatar los santos Misterios, en el pecho los llevo, salvadlos".

El oficial levantó en peso al pequeño mártir y lo tomó en sus brazos como quien llevaba no sólo a un mártir, sino al mismo rey de los mártires. El niño descansaba su cabeza sobre las robustas espaldas del militar y habia confiado. El camino de vuelta a las Catacumbas era largo, pero el guerrero apresurada el paso y al poco tiempo llegó al pie del altar.

Todos los fieles allí congregados rodearon al moribundo héroe de la Eucaristia; el sacerdote no puedo contener las lágrimas al descubrir intacto en el seno de Tarsicio el depósito confiado, y mientras con dificultad separaba los rígidos brazos del santo niño, dirigióle éste una dulce mirada de satisfacción y expiró. La Iglesia recuerda su tránsito el dia 15 de agosto.

Sus reliquias fueron enterradas en el cementerio de Calixto, y más tarde se trensladaron a Paris, en la Casa de Huérfanos se San Vicente de Paul.


Padre Manuel Traval y Roset - Milagres Eucaristicos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Infância

"...A criança chegando ao sete anos começa a ter o uso da razão, isto é, começa a distinguir o bem do mal, a fazer atos humanos e por isso mesmo, suas ações serão meritórias se forem boas, cometerá pecados se foram más. Porque aos sete anos com o uso da razão começa o LIVRE ARBÍTRIO, isto é a liberdade de agir de fazer o bem e o mal.

Se a mãe quer ser boa educadora, deve tê-lo presente e assim, aos sete anos há de tratá-los não como crianças mas como adultos. Esta é uma regra do bom educador: Incita, deixa agir, guia, corrige; educar quer dizer ensinar a fazer bom uso de suas faculdades. A criança, aos sete anos, começa a adquirir a razão e a liberdade, portanto a mãe deve ensinar-lhe como há de usar ambas. Isto entende-se dentro dos limites da capacidade da criança. Educar quer dizer ensinar a governar-se a si mesmo.

Pois bem a mãe não deve se contentar em dizer à criança vá rezar tuas orações! Deve procurar o modo de fazê-la compreender e inculcar-lhe que Deus é nosso Pai, que é o doador de tudo, que nos quer muito e que muito se alegra quando as crianças rezam bem suas orações. Para ela apresentar-lhe exemplos de crianças que rezam de boa vontade...

Educada deste modo, a mãe deverá louvar a criança quando expontaneamente ela fizer como lhe foi ensinado, fazendo- lhe ver que já é um adulto, que já sabe rezar sozinho e desta maneira, começa a criança a compreender que é coisa honrosa fazer o bem por conta própria.

Mas quando a criança não quer rezar? Então é conviniente que a mãe examine se escolheu o momento oportuno ou se não usou de palavras ásperas ou modos violentos...

Dos dez aos quatorze anos dá-se um desenvolvimento notável tanto no físico como no moral. Deve a mãe tê-lo em grande conta se quiser tirar proveito da educação dos filhos.

No que se refere à inteligência, nessa idade a criança compreende muito e até demais. Nessa idade seu coração começa a sentir o estímulo de muitas paixões. São propensos a ira e a vingança; são por vezes altivos, teimosos e obstinados; neles cresce o amor a independência.

Dois meios são muito importantes a oração e o repouso. Já que naturalmente nessa idade diminui o amor à oração e à frequência dos sacramentos, é preciso vencer essa repugnância do melhor modo possível. Quanto ao repouso é difícil ponderar-lhe a importância em ir-se logo para a cama e levantar-se cedo. Indo deitar-se logo evitam-se inúmeros perigos; levantando-se bem cedo obtém-se vantagens de ordem econômica, religiosa, higiênica e moral.

Padre Gaspardo Humberto - Maternidade Cristã - Ed Paulinas, 1947.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Procurava emprego, encontrou uma mãe. Autora: Elizabeth MacDonald

Quando Jeanne-Marie saiu do hospital, sentia-se só, abandonada e sem apoio. Como único patrimônio, restava-lhe no bolso uma moeda de um franco.

Nenhum ruído externo, porém, era capaz de arrancar de suas profundas reflexões uma moça de aspecto humilde e testa franzida, que caminhava com passo resoluto.

A jovem Jeanne-Marie, nascida num vilarejo da Bretanha, fora educada por seus pais no santo temor de Deus. Sua modesta condição a obrigara, quando ainda muito nova, a buscar emprego junto a uma rica família.

Desde a infância, tinha ela o piedoso costume de mandar celebrar todo mês uma Missa em sufrágio das almas do purgatório. Devendo abandonar sua vila natal para acompanhar seus patrões que se mudavam para a capital francesa, manteve-se fiel a esse ato de caridade, e assistia ela mesma ao Santo Sacrifício, durante o qual unia suas orações às do sacerdote, pedindo especialmente em favor daquela alma cuja libertação dependesse apenas de uma última prece.

Algum tempo depois de estabelecer- se em Paris, foi acometida por uma grave enfermidade que não só esgotou suas forças físicas, como lhe fez perder o emprego e consumiu todas as suas economias.

Quando, finalmente, saiu do hospital, sentia-se só, abandonada e sem apoio. Como único patrimônio, restava- lhe no bolso uma moeda de um franco. Possuía, entretanto, algo mais valioso que todo o ouro do mundo: a confiança em Deus e em Nossa Senhora.

Após uma fervorosa oração, dirigiu-se apressadamente a uma agência de emprego. Ao passar em frente à Igreja de Santo Eustáquio, algo a impeliu a entrar. O ambiente elevado, o som do órgão, a tênue luz que penetrava através dos vitrais, revestindo tudo de uma feeria de cores, encheram-na de paz e lhe fizeram esquecer por um momento sua dramática situação.

À vista de um sacerdote que se preparava para celebrar num dos altares laterais, lembrou-se de que naquele mês não havia mandado rezar a costumeira Missa pelas almas do purgatório.

Sempre lhe custara certo esforço reunir algumas moedas para a espórtula, mas hoje isto constituía um verdadeiro sacrifício… entregar o último franco que lhe restava equivalia a não ter mesmo com que saciar a fome naquele dia. A luta interior entre a devoção e a prudência humana foi de curta duração: logo venceu a primeira, pois Jeanne-Marie era pobre dos bens desta terra mas rica de amor de Deus.

Com a firme convicção de que Aquele que disse: “Olhai para as aves do céu que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros” (Mt 6,26), não a desampararia, dirigiu- se à sacristia e, como a viúva pobre do Evangelho, entregou sua última moeda de um franco, solicitando que aquela Missa fosse celebrada na intenção de suas queridas almas do purgatório. Depois de assistir com muita devoção ao Santo Sacrifício, pôs-se novamente a caminho.

Sentia-se mais leve, não pelo vazio de seu bolso… mas porque, desprovida de todo recurso humano, abandonara- se exclusivamente ao beneplácito da Divina Providência. Seu coração, este sim, estava cheio. Cheio de uma nova confiança que sobrepujava certa ansiosa inquietude com relação ao futuro: qual seria seu destino? Caminhava mergulhada nesses pensamentos quando uma voz a interrompeu:

- Estás à procura de um emprego?

- Sim, senhor – respondeu, surpresa e com uma estranha sensação de estar em outro mundo…

- Pois bem, vai à Rua Tivoli nº 48 e fala com a Sra. Zélia. Ela está precisando de uma empregada e te receberá com bondade.

Não foi difícil achar a casa indicada. Chegou justamente no momento em que saía uma moça, resmungando, com um pacote embaixo do braço. Jeanne-Marie lhe perguntou se a dona da casa se encontrava.

- Talvez sim, talvez não! Não me interessa! Ela abrirá a porta se quiser. Não tenho mais nada a ver com isso! – respondeu ela sem se deter. Com mão temerosa, nossa pobre jovem tocou a sineta. Seu medo, porém, logo se dissipou ao ouvir uma voz doce chamando-a para entrar. Ao deparar-se com uma venerável senhora, de olhar bondoso, tomada de coragem, ela lhe expôs o motivo de sua visita:

- Soube que a senhora necessita de uma empregada e vim oferecer-me, pois me asseguraram que aqui seria recebida com bondade.

- Minha cara jovem, o que acabas de me dizer é extraordinário! Hoje pela manhã eu absolutamente não precisava de ninguém. Mas há cerca de uma hora tive de despedir uma insolente empregada, e ninguém no mundo, salvo ela e eu, sabe disso. Quem, pois, te envia?

- Foi um senhor ainda jovem que me parou na rua e me deu essa informação. E estou muito agradecida a Deus e a ele, pois necessito conseguir um emprego ainda hoje, já que não possuo mais um centavo sequer…

A distinta dama permanecia pensativa, não podendo compreender quem seria esse estranho personagem. Jeanne-Marie, erguendo casualmente os olhos, viu um quadro na parede e exclamou:

- É este o homem que me encaminhou para cá! Venho da parte dele!

Ao ouvir estas palavras, Da. Zélia soltou um grito e esteve a ponto de desmaiar. Pediu que a moça lhe contasse como fora o encontro com ele na rua. Ela narrou com simplicidade seu costume de socorrer as almas do purgatório, a Missa que mandara celebrar havia pouco e, por fim, o episódio do encontro com o jovem que se mostrava radiante de felicidade, logo ao sair da igreja. A nobre senhora ouviu tudo com atenção e, no final, disse emocionada:

- Não serás minha empregada, considero-te como filha! Este é meu filho… meu único filho, morto há dois anos, que deve a ti sua libertação das penas do purgatório. Em recompensa de tua generosidade, Deus lhe permitiu enviar-te aqui. Que Deus te abençoe! A partir de agora, rezaremos juntas por todos os que sofrem no lugar de purificação e dependem de uma prece para entrar na bem-aventurança eterna.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Formação do caráter dos dois aos seis anos.

"Também nesta idade o coração é capaz de receber uma educação especial. O pai que trabalha todo o dia para a criança e a mãe que desde cedo até a noite desvela-se por ela, é um poderoso argumento que certamente há de impressionar o terno coração do filho e o levará à gratidão.

Este é o tempo de se destruir o egoísmo. É bom que a criança se mostre de bom coração com seus amigos especialmente os mais pobres. Acostume-se em tempo que ela mesma dê esmola aos pobres, quando lhe baterem à porta. Desta maneira sentirá compaixão para com os infelizes e gratidão para com seus pais que lhe dão o necessário.

Nesta idade, também o sentimento religioso é capaz de educação. A criança prende-se muito ao que vê. É preciso que veja bons exemplos. As orações breves reza-se de boa vontade, de manhã e de noite; mas a criança há de ser convidada a rezá-las com bons modos, escolhendo-se o momento oportuno, não a despertando repentinamente, ou interrompendo à força seus brinquedos, ou ainda repreendendo-a; desta maneira não rezará de boa vontade e além disso, a oração tornar-se-á antipática, é preciso agir de modo que ela se torne agradável e desejada.

Passemos agora a mostrar alguns dos defeitos mais salientes da criança. Convém saber porque elas choram. As crianças choram com muita facilidade. Se o motivo é razoável. agir-se-á de acordo com o que o caso exige. Mas se choram simplesmente por capricho, porque se lhes nega o que pedem, então convém não se fazer caso da sua manhã, e deixá-la a si mesma, é o melhor modo para que se cale. A mãe que se apieda de seu choro, comete um grave erro pedagógico, porque a criança aprenderá a dominá-la, sempre por meio de suas lágrimas e acabará vencendo-a. Desta maneira nunca aprenderá a domar sua própria vontade contra a tirania de todos os seus caprichos.

Muitos filhos, se nunca levam a termo seus projetos pode lhes faltar a perseverança, devem aos seus pais essa desgraça e terão que repetir amargamente: Ah! se meus pais não me tivessem minado tanto!

Os pais devem andar de acordo na educação dos filhos. Se o pai, ao entrar em casa, encontra o filho chorando e nota que a mãe vai acariciar, deixe-o chorar, não se mostre compassivo. A criança vendo que o pai e mãe procedem do mesmo modo há de se calar mais facilmente. Se o marido ou a mulher se tivessem enganado, não devem corrigir ao outro na presença da criança. Um ou outro perderiam a autoridade, e a criança estaria do lado que lhe dá razão e sentiria menos afeto em seu coração por esse motivo, para com aquele que a contraria em todos os seus caprichos.
Se o marido notasse alguma coisa digna de recriminação em sua mulher, não derevá repreende-la diante de todos, mas quando se encontrarem sozinhos de todos.

No fazer a vontade das crianças e no corrigi-las os avós muitas vezes, para não dizermos sempre, impedem a ação educadora dos pias. Os avós tem muitas fraquezas para com os netinhos, mas para o bem deles, devem refrear esse carinho exterior e secundar a obra dos pais. E o mesmo se há de dizer das tias e dos demais membros da família..."

Padre Gaspardo Humberto - Maternidade Cristã - Ed Paulinas, 1947.